Comentário Bíblico
Adventista
Naqueles dias - (cba)
Mateus 3:1
[A pregação de João Batista, Mateus 3:1-10; Marcos 1:2-6; Lucas 3:1-14]. Isto é, quando Jesus “foi habitar numa cidade chamada Nazaré” (Mateus 2:23). Jesus começou Seu ministério público com cerca de 30 anos (ver com. de Lucas 3:23). Isso foi no outono de 27 d.C. (DTN, 233; ver com. de Lucas 3:1). João era cerca de seis meses mais velho que Jesus (ver com. de Lucas 1:39,57), e é razoável pensar que tenha iniciado seu ministério cerca de seis meses antes do de Cristo. João deve ter começado na primavera do mesmo ano, talvez na época da Páscoa, quando multidões estariam chegando a Jerusalém ou partindo dali nas proximidades do local onde João estava pregando (ver com. de Lucas 3:1).
- 1 Naqueles dias apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judéia, 2 dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. 3 Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 4 Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 5 Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judéia, e de toda a circunvizinhança do Jordão, 6 e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 7 Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? 8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, 9 e não queirais dizer dentro de vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 E já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. Mateus 3:1-10 2 Conforme está escrito no profeta Isaías: Eis que envio ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar o teu caminho; 3 voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; 4 assim apareceu João, o Batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. 5 E saíam a ter com ele toda a terra da Judéia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6 Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. Marcos 1:2-6 1 No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, 2 sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. 3 E ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados; 4 como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas. 5 Todo vale se encherá, e se abaixará todo monte e outeiro; o que é tortuoso se endireitará, e os caminhos escabrosos se aplanarão; 6 e toda a carne verá a salvação de Deus. 7 João dizia, pois, às multidões que saíam para ser batizadas por ele: Raça de víboras, quem vos ensina a fugir da ira vindoura? 8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos por pai a Abrão; porque eu vos digo que até destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abrão. 9 Também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 10 Ao que lhe perguntavam as multidões: Que faremos, pois? 11 Respondia-lhes então: Aquele que tem duas túnicas, reparta com o que não tem nenhuma, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo. 12 Chegaram também uns publicanos para serem batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos nós de fazer? 13 Respondeu-lhes ele: Não cobreis além daquilo que vos foi prescrito. 14 Interrogaram-no também uns soldados: E nós, que faremos? Disse-lhes: A ninguém queirais extorquir coisa alguma; nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo. Lucas 3:1-14 23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno. Mateus 2:23 23 Ora, Jesus, ao começar o seu ministério, tinha cerca de trinta anos; sendo (como se cuidava) filho de José, filho de Eli; Lucas 3:23 1 No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, Lucas 3:1 39 Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá, 57 Ora, completou-se para Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho. Lucas 1:39,57
As ilustrações que João usou em sua pregação indicam que o tempo da colheita (primavera) estava próximo (ver com. de Mateus 3:7,12).
“Naqueles dias” os judeus que viviam na Palestina, em especial na Judeia, estavam à beira de uma revolução. Desde a nomeação de procuradores romanos para governar a Judeia, em 6 d.C., após Augusto ter banido Arquelau (ver com. de Mateus 2:22), a presença de oficiais e soldados romanos, o exercício da autoridade romana e o consequente afluxo de costumes pagãos resultaram numa revolta após outra. Milhares dos homens mais valentes de Israel tinham pagado com sangue o seu patriotismo. As condições eram tais que o povo ansiava por um líder forte que os livrasse do jugo cruel de Roma.
João Batista - (cba)
Mateus 3:1
Sobre o significado do nome João, ver com. de Lucas 1:13; e sobre sua juventude e seu preparo, ver com. de Lucas 1:80. Jesus disse a respeito de João que, “entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João” (Lucas 7:28). Ele foi "muito mais que profeta” (ver com. de Mateus 11:9). A influência que João exercia sobre o povo se tornou tão grande que Herodes Antipas, em princípio, hesitou fazer-lhe dano (Mateus 14:1,5; Marcos 11:32), e os líderes judeus não ousavam falar abertamente contra ele (Mateus 21:26;Lc:20:6@). Josefo fornece um relato vívido de João Batista que se assemelha muito ao dos evangelhos (Antiguidades, xviii.5.2).
- 13 Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; Lucas 1:13 80 Ora, o menino crescia, e se robustecia em espírito; e habitava nos desertos até o dia da sua manifestação a Israel. Lucas 1:80 28 Pois eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João; mas aquele que é o menor no re medida com é maior do que ele. Lucas 7:28 9 Mas por que saístes? para ver um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta. Mateus 11:9 1 Naquele tempo Herodes, o tetrarca, ouviu a fama de Jesus, 5 E queria matá-lo, mas temia o povo; porque o tinham como profeta. Mateus 14:1,5 32 Mas diremos, porventura: Dos homens? - É que temiam o povo; porque todos verdadeiramente tinham a João como profeta. Marcos 11:32 26 Mas, se dissermos: Dos homens, tememos o povo; porque todos consideram João como profeta. Mateus 21:26
Deserto da Judeia - (cba)
Mateus 3:1
Esta expressão em geral se refere aos montes áridos e escarpados entre o Mar Morto e as montanhas do centro da Palestina, uma região de pouca chuva e de poucos habitantes. João passou grande parte de sua juventude no deserto (Lucas 1:80). Seus pais provavelmente viviam em Hebrom ou perto dali, não muito longe dos limites ocidentais desse “deserto”.
Na época do NT, o termo “deserto” foi usado para se referir tanto aos montes escarpados a oeste do Mar Morto como à parte sul do vale do Jordão. De acordo com Lucas 3:3, João foi de lugar a lugar, acima e abaixo no vale do Jordão. Entre Jericó e o Mar Morto, o deserto da Judeia se encontrava com o do Jordão. Ao que tudo indica, o ministério de João começou nessas proximidades.
Quando foi preso por Herodes Antipas, João devia estar no território de Herodes (provavelmente Pereia) e, segundo Josefo, foi aprisionado em Macaeros, a leste do Mar Morto (Antiguidades, xviii.5.2). Visto que o batismo era algo tão importante em seu programa evangelístico, João parece ter estado sempre próximo a um lugar com “muitas águas” (João 3:23). Isso talvez explique, ao menos em parte, por que ele realizou muito de seu trabalho em “toda a circunvizinhança do Jordão” (Mateus 3:5; cf. DTN, 220). Na época do batismo de Jesus, João estava pregando e batizando em Betábara (Betânia, além do Jordão), não longe de onde Israel cruzou o Jordão (DTN, 132; ver com. de João 1:28; Josué 2:1; Josué 3:1,16). Mais tarde, ele realizou sua obra em “Enom, perto de Salim” (João 3:23).
- 23 Ora, João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e o povo ía e se batizava. João 3:23 5 Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judéia, e de toda a circunvizinhança do Jordão, Mateus 3:5 28 Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando. João 1:28 1 De Sitim Josué, filho de Num, enviou secretamente dois homens como espias, dizendo-lhes: Ide reconhecer a terra, particularmente a Jericó. Foram pois, e entraram na casa duma prostituta, que se chamava Raabe, e pousaram ali. Josué 2:1 1 Levantou-se, pois, Josué de madrugada e, partindo de Sitim ele e todos os filhos de Israel, vieram ao Jordão; e pousaram ali, antes de atravessá-lo. 16 as águas que vinham de cima, parando, levantaram-se num montão, mui longe, à altura de Adã, cidade que está junto a Zaretã; e as que desciam ao mar da Arabá, que é o Mar Salgado, foram de todo cortadas. Então o povo passou bem em frente de Jericó. Josué 3:1,16
Nota Adicional 1 a Mateus 3 - (cba)
Mateus 3:1-17
De acordo com Mateus 3:4 e Marcos 1:6 a alimentação de João Batista consistia de “gafanhotos [do gr. akrides, plural de akris] e mel silvestre”. Não se sabe se com isso os escritores dos evangelhos quiseram dizer que João não comia nada mais, ou apenas que esses eram os principais alimentos de sua dieta. Também é possível que “gafanhotos e mel silvestre” fossem considerados a dieta difereneiada de um profeta, assim como as “vestes de pelo de camelo e um cinto de couro” indicavam que João Batista era sucessor dos profetas antigos (ver DTN, 102). João pode ter se alimentado de “gafanhotos e mel silvestre” apenas quando não havia outros alimentos disponíveis. Também pode ser que “gafanhotos e mel silvestre” representassem simplesmente os vários alimentos disponíveis no deserto e que a expressão fosse uma forma gráfica oriental para dar ênfase à sua vida solitária, sóbria, distante do convívio humano.
- 4 Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Mateus 3:4 6 Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. Marcos 1:6
Devido à palavra “gafanhoto” indicar um inseto, naturalmente se levanta a questão quanto a que alimento, além do mel, constituía a dieta de João.
Em outras partes nas Escrituras e também na literatura grega contemporânea, a palavra akris sempre se refere a um inseto, o gafanhoto. Esse fato inegável levou a maioria dos comentaristas atuais a concluir que o relato sobre João Batista trata desse inseto. Também é fato que o gafanhoto fazia parte da dieta dos povos do antigo Oriente Médio. A lei de Moisés classifica certos tipos de gafanhotos como limpos (Levítico 11:22), portanto, seriam permitidos na dieta de um judeu. Esses fatos levaram alguns comentaristas à conclusão de que akris em Mateus e Marcos deve ser compreendido como o inseto “gafanhoto”, em vez de uma espécie de árvore.
No entanto, há muito tempo existe uma tradição difundida e persistente de que em Mateus e Lucas a palavra akris denota algo diferente de inseto. Sugeriram-se pequenos pássaros, caranguejos, lagostim, peras silvestres ou outras frutas, bolos, vagem de alfarrobas, etc. Em Diatessaron, de Taciano, a palavra foi traduzida como “leite”, em vez de “gafanhotos". Grande parte dessa discussão obviamente é apenas suposição, mas parece haver evidência linguística e antropológica para a vagem de alfarroba.
A alfarrobeira (Ceratonia siliqua) é cultivada em grande quantidade na fronteira com o mar Mediterrâneo e é comum na Palestina. Seu fruto, que amadurece no final da primavera, é uma vagem com feijões e tem de 15 a 25 em de comprimento. As vagens e feijões podem ser comidos crus, cozidos ou moídos como farinha de trigo. Podem ser secados e preservados por tempo indefinido. Embora não seja saborosa, a alfarroba tem valor nutritivo substancial e é, há muito, um artigo básico da dieta das classes mais pobres do Oriente Médio. A Toseftah (Maaseroth, 2.19, Talmude, p. 84) alista vagens de alfarroba como um tipo de alimento, e a Mishnah (Maaseroth, 1.3, ed. Soncino, Talmude, p. 256) especifica que, como alimento, devem ser dizimadas. O filho pródigo dava alfarrobas aos porcos (ver com. de Lucas 15:16). Incidentalmente, na língua inglesa, a alfarroba é comumente conhecida como gafanhoto, e as vagens são chamadas popularmente de “pão de São João”. Diz-se que agricultores dão alfarrobas chamadas de “gafanhotos” como alimento para o gado.
A seguir estão algumas evidências que favorecem a crença de que a alfarroba é o “gafanhoto” do qual se alimentava João Batista:
1. Evidências disponíveis indicam que o inseto gafanhoto é uma fonte pobre de alimento e que seria incapaz de sustentar a vida humana. De acordo com a Encyclopaedia of Religion and Ethics (verbete “gafanhoto”) de James Hastings, “o valor nutritivo do inseto gafanhoto é extremamente baixo e insuficiente, [mesmo] com mel, para sustentar a vida”. O fato de o “gafanhoto” que João comia aparentemente ter sido o elemento principal de sua dieta depõe contra o inseto e favorece o fruto da alfarrobeira. A inadequação do gafanhoto como alimento deve ser considerada um argumento válido de que a palavra akris indica outro tipo de alimento e não o inseto.
E um fato interessante que os feijões da alfarroba foram alimento de muitos pobres em várias partes do Oriente Médio, e ainda o são. Antigamente, os judeus tinham um ditado que dizia: “quando um judeu tem que se servir de uma alfarroba, ele se arrepende” (Midrash Rahhah, sobre Levítico 11:1, ed. Soncino, Talmude, p. 168). Não é irrelevante observar que João foi o grande pregador do arrependimento e que uma dieta de feijões de alfarroba e mel silvestre certamente seria apropriada para um pregador da justiça. Como já observado, a rigorosa dieta de João pode, assim como sua vestimenta rude, ter tido o propósito de caracterizá-lo na mente do povo como alguém semelhante aos profetas antigos.
2. Dentre os primeiros a questionarem a ideia de que a dieta de João incluía o inseto gafanhoto estavam os ebionitas, um grupo de judeus-cristãos da Síria cuja origem pode ser traçada a elementos judaizantes da época do NT. Como os essênios, eram de certa forma ascéticos em suas tendências e defendiam a dieta vegetariana. Aparentemente, os ebionitas omitiram a menção de “gafanhotos” em Mateus 3:4, embora Epifânio, escritor cristão do 4° século, afirme que eles substituíram egkrides, “bolos”, por akrides, “gafanhotos” (ver M. R. James, The Apocryphal New Testament, p. 9; H. A. W. Meyer, Commentary on the New Testament, sobre Mateus 3:4). Não parece que os ebionitas receberam manuscritos do evangelho que dissessem egkrides, mas que devem ter feito essa substituição ou alteração em harmonia com seus princípios de alimentação. Todos os manuscritos bíblicos antigos trazem akrides.
3. Os pais da igreja grega, que supostamente tinham melhor entendimento do uso do grego bíblico do que escritores posteriores, estavam muito longe de concordar que akris em Mateus e Marcos significava o inseto conhecido como gafanhoto. Na verdade, a maioria deles parece ter pensado diferentemente. Por exemplo, muitos consideravam o akrides (ou akridas) dos evangelhos como equivalente a akrodrua, “frutas”, ou ponta de galhos de árvores ou ervas.
Num sermão sobre a profecia de Zacarias, erroneamente atribuído a Crisóstomo (c. 400 d.C.), faz-se uma comparação entre Elias e João Batista na qual se diz: “um viveu nas montanhas, o outro passou o tempo no deserto; um foi alimentado por corvos, o outro comia gafanhotos de plantas [akridas botanõn]”. A frase akridas botanõn é traduzida para o latim como herbarum summitates, que quer dizer “extremidades” ou “brotos de plantas” (ver Migne, Patrologia Graeca, vol. 50, colunas 786, 787). Em outro sermão também atribuído a Crisóstomo, sobre João Batista, a expressão akridas ek botanõn ocorre numa descrição de sua dieta e é traduzida para o latim como summitates plantarum, “brotos de plantas" (ibid., vol. 59, col. 762). Uma nota da tradução para o latim explica que a Vulgata Latina traz locustas para akrides, e acrescenta que com locustas a Vulgata quer dizer não só gafanhotos, mas também summitates plantarum, “pontas de plantas”. Uma nota do texto grego declara que Isidoro de Pelusiota e muitos outros escritores dão a mesma explicação para akrides. Isidoro de Pelusiota (c. de 425 d.C.) declara especificamente (Epístola 132) que “os gafanhotos que João comia não são o que algumas pessoas ignorantes imaginam, criaturas parecidas com besouros. Longe disso, pois na realidade são pontas [gr. akremones; latim summitates] de plantas ou árvores” (ibid., vol. 78 col. 270). Na Epístola 5, Isidoro outra vez fala do alimento de João como “pontas de plantas e folhas” (ibid., cols. 183, 184). Em seu comentário sobre Mateus (Mateus 3:4), Teofilacto da Bulgária (c. 1075 d.C.) observa: “Alguns dizem que gafanhotos \akrides] são plantas, chamadas chifres pretos; outros [dizem que são] frutas silvestres de verão” (ibid., vol. 123, cols. 173, 174). Em Historia Ecclesiastica (i. 14) Callistus Nicephorus (c. 1400 d.C.) diz que João “se retirou a lugares remotos, alimentando-se de partes de árvores” (ibid., vol. 145, col. 675, 676). Os autores gregos e seus tradutores latinos aparentemente entendem que os “gafanhotos’’ de Mateus 3:4 fazem parte da dieta vegetariana.
Não se pode dizer que o pensamento dos pais da igreja foi influenciado, como parece ter sido o dos ebionitas, por alguma hesitação em aceitar a ideia de que João Batista comeu alimento cárneo. Até onde se sabe, os pais da igreja não eram vegetarianos. Talvez seja mais difícil fornecer uma explicação válida para o consenso dos pais da igreja de que os akrides dos evangelhos designa algo diferente de gafanhotos (insetos), a menos que houvesse alguma base linguística ou indicação nos hábitos das pessoas que viveram nos primeiros séculos do cristianismo.
4. Parece que o nome “pão de São João”, dado ao fruto da alfarrobeira, foi introduzido em várias línguas europeias por peregrinos medievais que voltavam da Terra Santa. Por exemplo, em alemão, esse é o nome específico para essa fruta. De acordo com o Oxford English Dictionary, “St.-John’s-bread”, a expressão “pão de São João”, foi explicada num dicionário do inglês para o espanhol do ano 1591, como sinônimo de “alfarroba”.
5. Thomas Kelly Cheyne, um eminente erudito da Bíblia, da virada do século 19 para o 20, defende que o alimento de João Batista consistia em alfarrobas e mel silvestre. Ele raciocinava que a palavra akrides, em todos os casos conhecidos de seu uso, significa especificamente “inseto”, que o inseto gafanhoto é comido desde antigamente, mas que “o senso comum, no entanto, nos diz que gafanhotos não teriam sido preferidos por João Batista como seu alimento habitual em lugar da nutrição que o solo poderia prover. Sua humildade não ignoraria o alimento comum da classe mais pobre, isto é, alfarrobas” (Encyclopaedia Bíblica, verbete “casca”).
6. A confusão quanto ao significado de akris nos evangelhos parece estar relacionada ao fato de que, em vários idiomas, a palavra “gafanhoto” designa tanto um tipo de inseto quanto uma espécie de árvore. A palavra inglesa locust vem do latim locusta, que originalmente denota uma lagosta ou crustáceo similar, e, mais tarde, devido à semelhança no formato, também representa o inseto gafanhoto. O verdadeiro gafanhoto é um inseto que pertence à família Acridiidae, termo derivado do latim que, por sua vez, deriva do gr. akrides.
Ao explicar a aplicação do termo “gafanhoto’’ para a alfarroba e algumas outras árvores, o Oxford English Dictionary comenta: “O substantivo gr. akris, que apropriadamente indica o inseto, é empregado no Oriente para designar a alfarroba, devido à semelhança no formato; e, desde antigamente, muitos creem que os gafanhotos’ de João Batista eram essas alfarro-bas” (verbete “gafanhoto ”). No árabe moderno, a palavra nahat, que designa o inseto gafanhoto, também se aplica ao fruto da alfarrobeira. A razão para se aplicar o termo “gafanhotos’’ a alfarrobas está no fato de que, no grego, são chamados de keratia, literalmente, “chifres pequenos”, nome que descreve seu formato, e que o tipo de gafanhoto chamado akris, da família Acridiidae, é “caracterizado por chifres pequenos” (Oxford English Dictionary, verbete “gafanhoto”). Essa semelhança no formato parece ser a base para o duplo significado da palavra “gafanhoto” na língua inglesa, bem como no grego e árabe coloquial. De acordo com a Encyclopaedia of Religion and Ethics, de James Hastings, verbete “gafanhoto”, “a semelhança [na língua inglesa] entre o inseto e a vagem é a razão para o nome”.
7. Não se pode dizer se o hebraico e o aramaico refletiram a semelhança. Contudo, pode-se notar que o heb. chagah, “gafanhoto”, é traduzido como akris pela LXX (ver Levítico 11:22; Números 13:33; 2 Crônicas 7:13; Eclesiastes 12:5; Isaías 40:22). No hebraico da Mishnah, charuh denota a alfarroba, e é equivalente ao árabe kharrüh, do qual vem a palavra alfarroba, e ao gr. keratia. Alguns sugeriram que, na Palestina e na Síria, onde o aramaico era usado pelos cristãos, a forma consonantal ch-r-b pode em algum momento ter sido confundida com ch-g-h, devido a uma semelhança de som e grafia. De acordo com essa explicação, charuh, “alfarroba”, se tornou chagai7, “gafanhoto”, e essa substituição se refletiu no texto grego de Mateus 3:4 e Marcos 1:6.
- 22 isto é, deles podereis comer os seguintes: o gafanhoto segundo a sua espécie, o solham segundo a sua espécie, o hargol segundo a sua espécie e o hagabe segundo a sua especie. Levítico 11:22 33 Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos. Números 13:33 13 Se eu cerrar o céu de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; 2 Crônicas 7:13 5 como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho; e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e falhar o desejo; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; Eclesiastes 12:5 22 E ele o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e o desenrola como tenda para nela habitar. Isaías 40:22 4 Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Mateus 3:4 6 Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. Marcos 1:6
Alguns sugerem que o heb. cheryonim do texto massorético deve ser charubim e creem que 2 Reis 6:25 se refere a alfarrobas (ver com. ali). Também sugerem que o heb. chereb, traduzido como “espada” em Isaías 1:20, deveria ser charuh, “alfarroba ”. No texto hebraico consonantal, as duas palavras são idênticas. A tradução então seria: “comerás a alfarroba ”, que se ajusta bem ao contexto. Alguns imaginam que Mateus, sendo hebreu e tendo em mente charuh, “alfarroba”, com seu nome coloquial chagah, “gafanhoto”, pode ter escolhido o gr. akris, “gafanhoto”, ao escrever. Também é possível que existisse no grego daquela época uma terminologia coloquial similar.
- 25 E houve grande fome em Samária, porque mantiveram o cerco até que se vendeu uma cabeça de jumento por oitenta siclos de prata, e a quarta parte dum cabo de esterco de pombas por cinco siclos de prata. 2 Reis 6:25 20 mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; pois a boca do Senhor o disse. Isaías 1:20
8. A partir do ponto de vista estritamente linguístico, o argumento favorece a correspondência de akris com o inseto. Mas, tendo em vista todas as evidências contrárias apresentadas, não há certeza de que essa seja a compreensão correta do termo de Mateus 3:4 e Marcos 1:6. A evidência disponível não garante uma conclusão dogmática quanto a que alimentos João comia. É digno de nota que Ellen G. White caracteriza João como vegetariano (T3, 62; CS, 72).
- 4 Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Mateus 3:4 6 Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. Marcos 1:6
Nota Adicional 2 a Mateus 3 - (cba)
Mateus 3:1-17
Em várias partes dos evangelhos, os escritores relatam as palavras de Cristo de maneira diferente. Também apresentam relatos distintos sobre certos temas, como por exemplo, a inscrição na cruz. Os céticos têm se valido dessas variações como prova de que os evangelhos não são confiáveis, ou até mesmo falsos e, assim, não teriam sido inspirados. Uma análise cuidadosa prova o contrário. Aqueles que escreveram os evangelhos, junto com outros seguidores de Cristo, consideravam-se testemunhas dos eventos da vida de nosso Senhor. Tudo foi baseado na veracidade de seu testemunho.
Atualmente, num tribunal, se as testemunhas todas testificam precisamente o mesmo com respeito a um incidente, a conclusão é que estão mentindo. Por quê? Porque a experiência nos ensina que duas pessoas não veem um evento exatamente do mesmo modo. Um ponto impressiona uma testemunha, e outro ponto, outra. Pode ser que tenham ouvido exatamente as mesmas palavras ditas sobre o acontecimento, mas cada um as relata de forma um pouco diferente. Uma testemunha pode até relatar certas partes de um diálogo que a outra testemunha não relata. Mas, contanto que não exista clara contradição de ideias ou significado nas declarações diferentes, pode-se considerar que as testemunhas disseram a verdade. De fato, declarações aparentemente contraditórias podem com frequência se provar não contraditórias, mas complementares (ver com. de Mateus 27:37; Marcos 5:2; Marcos 10:46).
- 37 Puseram-lhe por cima da cabeça a sua acusação escrita: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS. Mateus 27:37 2 E, logo que Jesus saíra do barco, lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, Marcos 5:2 46 Depois chegaram a Jericó. E, ao sair ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, estava sentado junto do caminho um mendigo cego, Bartimeu filho de Timeu. Marcos 10:46
Observa-se que somente uma pessoa honesta pode se dar ao luxo de ter memória limitada. Aqueles que contam mentiras precisam decorar sua história para sustentá-la. A pessoa honesta pode não recontar sua história toda vez com as mesmas palavras - é quase certo que não o fará - mas sua consistência e harmonia internas são evidentes a todos. Além disso, tal história tem vida e reluz diante dos olhos porque quem a conta revive o espírito e o sentimento da situação. Mas, quando alguém conta e reconta uma história como um fonógrafo, o melhor que se pode dizer dele é que se tornou um tedioso escravo de uma mera forma de palavras e não apresenta um quadro vívido do que aconteceu realmente ou do que na verdade foi dito. E, se não formos bondosos, podemos até suspeitar de sua veracidade, ou ao menos estarmos certos de sua senilidade.
A experiência e, principalmente, a experiência dos tribunais ao longo dos anos, leva à conclusão de que o verdadeiro testemunho não precisa e não deve ser uma cópia dos vários testemunhos de um fato, incluindo o testemunho do que foi dito num determinado evento.
Portanto, a acusação de que os escritores dos evangelhos não são dignos de confiança porque seus relatos diferem se revela sem fundamento. Pelo contrário, esses escritores fornecem a prova mais clara de que não houve conspiração entre eles, que eles de forma independente relataram o que mais impressionou sua mente divinamente iluminada com respeito à vida de Cristo. Eles escreveram seus relatos mais ou menos diferentes em épocas e lugares diferentes. Contudo, não há dificuldade em se descobrir harmonia e unidade no que escreveram sobre incidentes e eventos, incluindo as palavras de nosso Senhor ou a inscrição na cruz (ver com. de Mateus 27:37).
À luz desses fatos, a acusação de que os diferentes relatos das palavras de Cristo provam que os evangelhos não foram inspirados parece absurda. Que garantia tem o cético para supor que, se fossem inspirados, teriam escrito ao pé da letra as palavras de nosso Senhor? Nenhuma. Palavras são meramente um veículo para expressar ideias e, infelizmente, a linguagem humana muitas vezes é inadequada para expressar plenamente a ideia de alguém. O fato de os escritores dos evangelhos apresentarem as palavras de nosso Senhor de formas diferentes não fornece em si uma prova de seu discernimento inspirado quanto ao alcance e intenções de Suas palavras? Cristo falava aramaico; os evangelhos foram escritos em grego. E não é verdade que diferentes eruditos podem fazer traduções fiéis dos escritos de determinado autor e ainda divergir nas palavras usadas? De fato, traduções demasiadamente literais em geral sacrificam algo da verdadeira ideia ou intenção da mente do autor original.
Feitas as devidas adaptações, podemos aplicar aqui as palavras das Escrituras: “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6). Há um espírito vivificante ao longo dos quatro evangelhos, um espírito que facilmente poderia ter sido sufocado ou apagado se os escritores se conformassem com o padrão artificial dos céticos e apresentassem quatro relatos idênticos. Deus inspirou Seus escritores milhares de anos antes de as técnicas de cópia terem sido inventadas.
Comentário Bíblico
Ellen G. White e Outros
reino dos céus
Mateus 3:1
Mateus usa mais "céus" em vez de "Deus", em deferência à prática judaica de evitar a menção do nome divino. Marcos e Lucas, que escreveram para públicos não judeus, usam "reino de Deus" com frequência.
Referências Cruzadas
Mateus 3:1
Marcos 1:3-8; Josué 14:10.
- 3 voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; 4 assim apareceu João, o Batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. 5 E saíam a ter com ele toda a terra da Judéia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6 Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. 7 E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas. 8 Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo. Marcos 1:3-8 10 E agora eis que o Senhor, como falou, me conservou em vida estes quarentá e cinco anos, desde o tempo em que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos; Josué 14:10
Nota
Mateus 3:1-3
Veja Lucas 1:76,77.
Comentário Bíblico
Mathew Henry
Nota - (Mathew Henry)
Mateus 3:1-6
Depois de Malaquias não houve profeta até João Batista. Este apareceu primeiro no deserto da Judéia. Não era um deserto desabitado, mas sim uma parte do país, não densamente povoado nem muito ilhado. Nenhum lugar é tão remoto a ponto de excluir-nos das visitas da graça divina.
João pregava a doutrina acerca do arrependimento: "Arrependeivos". A palavra aqui usada implica completa mudança do modo de pensar: uma mudança de juízo, da disposição e dos afetos, uma inclinação diferente e melhor da alma. Considerem seus caminhos, mudem seus pensamentos; se pensaram mal, pensem de novo, e pensem bem. os verdadeiros penitentes têm pensamentos; de Deus e de Cristo, do pecado e da santidade, deste mundo e do outro, diferentes dos que tiveram anteriormente. A mudança do pensamento produz uma mudança de caminho. Este é o arrependimento do qual fala o Evangelho, o qual se produz ao ver a Cristo, ao sentir seu amor e a esperança do perdão por meio dEle. É um grande estímulo para que nós nos arrependamos; arrependei-vos porque vossos pecados serão perdoados se vos arrependerdes. Voltai-vos a Deus pelo caminho do dever, e Ele por meio de Cristo se voltará a vós pelo caminho da misericórdia.
É agora tão necessário que nos arrependamos e humilhemos para preparar o caminho do Senhor, quanto o era então. Há muito que fazer para abrir caminho a Cristo em uma alma, e nada mais necessário que o descobrimento do pecado, e a convicção de que não podemos ser salvos por nossa própria justiça. o caminho do pecado e de Satanás é um caminho retorcido, mas para se preparar um caminho para Cristo é necessário endireitar as veredas (Hebreus 12:13).
Aqueles que têm como atividade chamar aos demais a lamentar o pecado e a mortificá-lo, devem levar uma vida séria, de abnegação e desprezo para com o mundo. Dando aos demais este exemplo, João preparou o caminho para Cristo.
Muitos foram ao batismo de João, mas poucos mantiveram a profissão de fé feita. Pode haver muitos ouvintes interessados, mas poucos crentes verdadeiros. A curiosidade e o amor pela novidade e variedade podem levar muitos a ouvir uma boa pregação, sendo afetados momentaneamente; há muitas pessoas que nunca se submetem à sua autoridade. Aqueles que receberam a doutrina de João, testificaram seu arrependimento confessando os seus pecados. Somente os que são levados com tristeza e vergonha, a reconhecer sua culpa, estarão prontos para receber a Jesus Cristo como sua justiça. os benefícios do reino dos céus, agora já muito próximo, foram-lhes selados pelo batismo. João os purificou com água, em sinal de que Deus os limparia de todas as suas iniquidades, dando a entender com isto que, por natureza e costume, todos estavam contaminados e não podiam ser recebidos em meio ao povo de Deus, a menos que fossem lavados de seus pecados no manancial que Cristo abriria (Zacarias 13:1).
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- Análise em Cadeia 1 No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, 2 sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. Lucas 3:1,2 11 Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. Mateus 11:11 2 e disse aos seus cortesãos: Este é João, o Batista; ele ressuscitou dentre os mortos, e por isso estes poderes milagrosos operam nele. 3 Pois Herodes havia prendido a João, e, maniatando-o, o guardara no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Felipe; 4 porque João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la. 5 E queria matá-lo, mas temia o povo; porque o tinham como profeta. 6 Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio dos convivas, e agradou a Herodes, 7 pelo que este prometeu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse. 8 E instigada por sua mãe, disse ela: Dá-me aqui num prato a cabeça de João, o Batista. 9 Entristeceu-se, então, o rei; mas, por causa do juramento, e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse, 10 e mandou degolar a João no cárcere; 11 e a cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a levou para a sua mãe. 12 Então vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus. Mateus 14:2-12 14 Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mateus 16:14 12 digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às mãos deles. 13 Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista. Mateus 17:12,13 25 O batismo de João, donde era? do céu ou dos homens? Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes? 26 Mas, se dissermos: Dos homens, tememos o povo; porque todos consideram João como profeta. 27 Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos. Disse-lhe ele: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas. 32 Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele. Mateus 21:25-27,32 4 assim apareceu João, o Batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. 15 e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho. Marcos 1:4,15 16 Herodes, porém, ouvindo isso, dizia: É João, aquele a quem eu mandei degolar: ele ressuscitou. 17 Porquanto o próprio Herodes mandara prender a João, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe; porque ele se havia casado com ela. 18 Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito ter a mulher de teu irmão. 19 Por isso Herodias lhe guardava rancor e queria matá-lo, mas não podia; 20 porque Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo, e o guardava em segurança; e, ao ouvi-lo, ficava muito perplexo, contudo de boa mente o escutava. 21 Chegado, porém, um dia oportuno quando Herodes no seu aniversário natalício ofereceu um banquete aos grandes da sua corte, aos principais da Galiléia, 22 entrou a filha da mesma Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos convivas. Então o rei disse à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja metade do meu reino. 24 Tendo ela saído, perguntou a sua mãe: Que pedirei? Ela respondeu: A cabeça de João, o Batista. 25 E tornando logo com pressa à presença do rei, pediu, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João, o Batista. 26 Ora, entristeceu-se muito o rei; todavia, por causa dos seus juramentos e por causa dos que estavam à mesa, não lha quis negar. 27 O rei, pois, enviou logo um soldado da sua guarda com ordem de trazer a cabeça de João. Então ele foi e o degolou no cárcere, 28 e trouxe a cabeça num prato e a deu à jovem, e a jovem a deu à sua mãe. 29 Quando os seus discípulos ouviram isso, vieram, tomaram o seu corpo e o puseram num sepulcro. Marcos 6:16-29 13 Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; 14 e terás alegria e regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; 15 porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe; 16 converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus; 17 irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo apercebido. 76 E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos; Lucas 1:13-17,76 2 sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. 3 E ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados; 4 como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas. 5 Todo vale se encherá, e se abaixará todo monte e outeiro; o que é tortuoso se endireitará, e os caminhos escabrosos se aplanarão; 6 e toda a carne verá a salvação de Deus. 7 João dizia, pois, às multidões que saíam para ser batizadas por ele: Raça de víboras, quem vos ensina a fugir da ira vindoura? 8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos por pai a Abrão; porque eu vos digo que até destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abrão. 9 Também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 10 Ao que lhe perguntavam as multidões: Que faremos, pois? 11 Respondia-lhes então: Aquele que tem duas túnicas, reparta com o que não tem nenhuma, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo. 12 Chegaram também uns publicanos para serem batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos nós de fazer? 13 Respondeu-lhes ele: Não cobreis além daquilo que vos foi prescrito. 14 Interrogaram-no também uns soldados: E nós, que faremos? Disse-lhes: A ninguém queirais extorquir coisa alguma; nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo. 15 Ora, estando o povo em expectativa e arrazoando todos em seus corações a respeito de João, se porventura seria ele o Cristo, 16 respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, vos batizo em água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia das alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo. 17 A sua pá ele tem na mão para limpar bem a sua eira, e recolher o trigo ao seu celeiro; mas queimará a palha em fogo inextinguível. 18 Assim pois, com muitas outras exortações ainda, anunciava o evangelho ao povo. 19 Mas o tetrarca Herodes, sendo repreendido por ele por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que havia feito, 20 acrescentou a todas elas ainda esta, a de encerrar João no cárcere. Lucas 3:2-20 6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. 7 Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 15 João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia. 16 Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. 17 Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. 18 Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer. 19 E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu? 20 Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo. 21 Ao que lhe perguntaram: Pois que? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não. 22 Disseram-lhe, pois: Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? 23 Respondeu ele: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. 24 E os que tinham sido enviados eram dos fariseus. 25 Então lhe perguntaram: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? 26 Respondeu-lhes João: Eu batizo em água; no meio de vós está um a quem vós não conheceis. 27 aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia da alparca. 28 Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando. 29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30 este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia. 31 Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, é que vim batizando em água. 32 E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. 33 Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza no Espírito Santo. 34 Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus. 35 No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos 36 e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus! João 1:6-8,15-36 27 Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. 28 Vós mesmos me sois testemunhas de que eu disse: Não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. 29 Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo. 30 É necessário que ele cresça e que eu diminua. 31 Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra, e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. 32 Aquilo que ele tem visto e ouvido, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. 33 Mas o que aceitar o seu testemunho, esse confirma que Deus é verdadeiro. 34 Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; porque Deus não dá o Espírito por medida. 35 O Pai ama ao Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos. 36 Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3:27-36 22 começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima, um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Atos 1:22 24 havendo João, antes do aparecimento dele, pregado a todo o povo de Israel o batismo de arrependimento. 25 Mas João, quando completava a carreira, dizia: Quem pensais vós que su sou? Eu não sou o Cristo, mas eis que após mim vem aquele a quem não sou digno de desatar as alparcas dos pés. Atos 13:24,25 3 Tornou-lhes ele: Em que fostes batizados então? E eles disseram: No batismo de João. 4 Mas Paulo respondeu: João administrou o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus. Atos 19:3,4 3 Eis a voz do que clama: Preparai no deserto o caminho do Senhor; endireitai no ermo uma estrada para o nosso Deus. 4 Todo vale será levantado, e será abatido todo monte e todo outeiro; e o terreno acidentado será nivelado, e o que é escabroso, aplanado. 5 A glória do Senhor se revelará; e toda a carne juntamente a verá; pois a boca do Senhor o disse. 6 Uma voz diz: Clama. Respondi eu: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda a sua beleza como a flor do campo. Isaías 40:3-6 7 E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas. Marcos 1:7 17 irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo apercebido. Lucas 1:17 7 Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João: que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento? Mateus 11:7 10 E agora eis que o Senhor, como falou, me conservou em vida estes quarentá e cinco anos, desde o tempo em que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos; Josué 14:10 61 No deserto: Bete-Arabá, Midim, Secaca, 62 Nibsã, a cidade do Sal e En-Gedi; seis cidades e as suas aldeias. Josué 15:61,62 24 E, tendo-se retirado os mensageiros de João, Jesus começou a dizer às multidões a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento? Lucas 7:24 16 Também os filhos do queneu, sogro de Moisés, subiram da cidade das palmeiras com os filhos de Judá ao deserto de Judá, que está ao sul de Arade; e foram habitar com o povo. Juízes 1:16