Comentário Bíblico
Adventista
A palavra do SENHOR - (cba)
Ezequiel 38:1
Os cap. 38 e 39 são uma profecia contínua. A passagem toda tem sido objeto de especulação. Ao longo do tempo, muitas interpretações já foram propostas. Para avaliá-las adequadamente é necessário estar familiarizado com os propósitos, métodos e escopo básico da profecia.
O problema é achar um meio de diferenciar adequadamente entre o que tem aplicação local e imediata e o que tem aplicação distante, talvez na era cristã ou no fim dos tempos. Os estudiosos da Bíblia que aplicam certas profecias do AT à era cristã frequentemente notam que, no meio delas, há referências de aplicação obviamente local e imediata. Eles procuram explicar essa aparente mescla do imediato com o escatológico dizendo que o profeta, enquanto dava uma mensagem para o povo de seus dias, ocasionalmente fazia incursões proféticas e projetava suas profecias para o futuro distante. Embora esta premissa pareça oferecer uma solução parcial ao problema, não provê um critério para a diferenciação adequada entre o que é imediato e o que é futuro ou escatológico.
A resposta a este problema de diferenciação se encontra na formulação de um princípio cujo método é exibido na própria Bíblia e também é substanciado no Espírito de Profecia. Será visto que este princípio proporciona um método pelo qual se pode distinguir com segurança o que o Espírito Santo pretendia que fosse de importância imediata e o que também teria uma aplicação mais distante. O princípio pode ser declarado da seguinte forma:
As profecias com respeito à glória futura de Israel e de Jerusalém eram primariamente condicionais e dependiam da manutenção da aliança (ver Jeremias 18:7-10; PR, 704). Elas teriam um cumprimento literal nos séculos subsequentes se Israel tivesse aceitado totalmente os planos de Deus. O fracasso de Israel tornou impossível o cumprimento dessas profecias em seu propósito original. Contudo, isso não implica necessariamente que essas profecias não tenham um significado adicional. Paulo fornece a resposta nestas palavras: "E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas" (Romanos 9:6). Portanto, essas promessas têm um grau de aplicação ao Israel espiritual. Mas até que ponto? É a própria Escritura que deve determinar isso. Assim há, tanto no NT quanto nos escritos do Espírito de Profecia, numerosas referências a escritores do AT que mostram como essas predições antigas, que deviam ter sido gloriosamente cumpridas para a descendência do Israel literal, serão finalmente cumpridas para a descendência do Israel espiritual.
- 7 Se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação, e acerca dum reino, para arrancar, para derribar e para destruir, 8 e se aquela nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que intentava fazer-lhe. 9 E se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação e acerca dum reino, para edificar e para plantar, 10 se ela fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que lhe intentava fazer. Jeremias 18:7-10 6 Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; Romanos 9:6
De imediato se pode ver, porém, que nem todos os detalhes da profecia original podem se cumprir de maneira precisa, já que as condições e o ambiente são muito diferentes. Na verdade, é regra segura de exegese assumir apenas as aplicações especificadas numa revelação subsequente e atentar para as limitações que essa revelação posterior impõe. O que passa disso se torna mera especulação e, assim, nunca deve servir de base para uma doutrina nem como premissa sobre a qual repouse uma estrutura teológica.
O molde distintamente local em que essas antigas profecias foram colocadas é explicado com base no fato de Deus originalmente pretender que essas predições se cumprissem num padrão indicado. Além disso, o que tem sido designado como incursões para um futuro distante, que em grande parte está dissociado da discussão geral, também é visto como algo apresentado na moldura dos propósitos divinos anteriores. Agora, contudo, sendo que esses propósitos anteriores não se cumpriram, escritores inspirados de época posterior revelam como essas predições se cumprirão no contexto da igreja cristã.
À luz desse princípio pode ser observado que Ezequiel 38 e 39 teria se cumprido lite ralmente depois que os judeus retornaram do exílio, caso eles tivessem atendido às condições apresentadas pelos profetas. Pelo fato de eles as haverem recusado persistentemente, a condição de prosperidade aqui retratada nunca se cumpriu. Consequentemente, não pôde haver o ataque combinado dos pagãos contra um povo que habitasse na prosperidade mencionada.
A profecia terá uma aplicação futura? Com base no princípio aqui enunciado, tal aplicação pode ser estabelecida com certeza apenas por uma revelação subsequente. No NT, há apenas uma referência direta aos símbolos usados nesta profecia: Apocalipse 20:8. Nesta passagem, João diz como esta profecia, que teria se cumprido literalmente em época anterior, terá certo grau de cumprimento na luta final contra Deus empreendida pelas hastes dos ímpios, chamadas de "Gogue e Magogue". O Espírito de Profecia não faz uma exposição direta deste capítulo. Indiretamente, é claro, pode ser visto um paralelo entre esta luta e a luta final contra o novo Israel de Deus, quando "as nações se unirem na invalidação da lei de Deus" (T5, 524) e os ímpios se unirem completamente "a Satanás em sua luta contra Deus" (GC, 656). "Como influenciava as nações pagãs para destruírem Israel, assim, num futuro próximo, ele (Satanás) incitará as maléficas potências terrestres para destruir o povo de Deus" (T9, 231; cf. TM, 465). Este conflito milenar terminará, finalmente, com a destruição de Satanás e suas hastes (denominadas "Gogue e Magogue", em Apocalipse 20:8), no final do milênio. Por esta época, o conflito terá atingido proporções globais e não poderá mais estar restrito à esfera indicada em Ezequiel 38 e 39, cuja referência é a um conflito militar contra um estado judaico politicamente restaurado (ver T6, 18, 19, 395).
Qualquer exposição que vá além dos limites do NT e da interpretação do Espírito de Profecia carece de um "Assim diz o Senhor". Não se deve presumir, naturalmente, que seja impossível haver um aumento de conhecimento sem revelações adicionais. Mas isto é certo: sem uma confirmação divina específica existe grande probabilidade de erro nesse tipo de exposição, especialmente no que diz respeito às profecias que ainda não se cumpriram, como é evidenciado por toda a história da interpretação profética.
Comentário Bíblico
Mathew Henry
Nota - (Mathew Henry)
Ezequiel 38:1-13
Estas coisas acontecerão nos últimos dias. Supõe-se que estes inimigos se unirão para invadir a terra da Judéia e Deus os derrotará. Deus não somente se ocupa com aqueles que agora são inimigos da sua igreja, mas também vê com antecedência aqueles que o serão, e através de sua Palavra os faz saber que está contra eles; ainda que se unam, os maus não ficarão sem castigo.
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