Comentário Bíblico
Adventista
Grande ira sobre o reino - (cba)
Esdras 7:23
No sétimo ano de Artaxerxes I, houve "ira sobre o reino" da Pérsia da maior gravidade. O Egito revoltou-se contra os persas em cerca de 463 a.C. e, no ano seguinte, com a ajuda dos atenienses, até que o último persa foi expulso do país. Próximo ao final de 459, uma tentativa sem sucesso foi feita para forçar Atenas a retirar suas tropas. Em 458 Artaxerxes tentou recuperar o país revoltoso e, logo em seguida, promulgou o decreto autori zando a expedição de Esdras a Jerusalém. Ahistóriaregistraque, de457 a.C. em diante, a situação melhorou para os persas no Egito. Mênfis foi recuperada naquele ano e em 456 as tropas atenienses foram finalmente derrotadas e a província do Egito foi resgatada.
E de seus filhos - (cba)
Esdras 7:23
Quando Artaxerxes subiu ao trono, era ainda muito jovem e não se sabe quantos filhos ele tinha em seu sétimo ano de governo. Em última análise, esse número chegou a 18 (Ctesias, Excursus Persiha, 44).
Nota Adicional a Esdras 7 - (cba)
Esdras 7:1-28
Até os anos finais do século 19, tanto judeus como cristãos consideravam o Artaxerxes do livro de Esdras como o primeiro rei persa com esse nome. Ele foi chamado pelos gregos de Artaxerxes Longímano ("mão longa") e reinou de 465 a 423 a.C. No entanto, a partir de 1890, a compreensão mudou acentuadamente. Nesse ano, um erudito belga, A. van Hoonacker, publicou seu primeiro estudo sobre a ordem cronológica de Esdras e Neemias, argumentando em favor de uma inversão na ordem tradicional e propondo Esdras como um dos sucessores de Neemias. Esse ponto de vista conquistou muitos seguidores no mundo acadêmico. Nas últimas décadas, aqueles que invertem a ordem tradicional quase se igualam em número aos que ainda aderem a ela. Em vista da importância dessa questão, particularmente com respeito à profecia de Daniel 9:24-27 e sua datação exata, uma análise mais detalhada do problema é dada a seguir. Os estudiosos que creem que Esdras sucedeu Neemias podem ser agrupados do seguinte modo: (1) aqueles que datam os eventos de Esdras 7 nos últimos anos do reinado de Artaxerxes I, geralmente em seu 37° ano de governo (427 a.C.) em vez do r, conforme o texto bíblico, e (2) aqueles que situam a expedição de Esdras no r ano do reinado de Artaxerxes II (405/404-359/358 a.C.).
O ponto de vista do primeiro grupo não precisa ser discutido neste Comentário, pois envolve apenas uma emenda conjectura! do texto que rejeita a data indicada em Esdras 7 e a troca por outra. A maioria dos eruditos que creem que a atividade de Esdras, em Jerusalém, seguiu-se à de Neemias pertence ao primeiro grupo.
Os estudiosos pertencentes ao segundo grupo apresentam argumentos mais impressionantes. Eles assinalam que a Bíblia não indica qual dos três Artaxerxes da história é o de Esdras 7 e que eles não violam o registro bíblico ao situar os eventos de Esdras 7 e 8 no 7° ano de Artaxerxes II, em vez de no 7° ano de Artaxerxes I. Já que cada estudante da Bíblia admite que os eventos registrados nem sempre se apresentam em ordem cronológica, ninguém tem direito, a priori, de rejeitar o ponto de vista que coloca os acontecimentos de Esdras 7 a 10 em um tempo posterior aos eventos descritos em Neemias. Um estudo cuidadoso de todas as evidências é essencial para uma decisão válida com respeito ao assunto.
Para começar, é adequado inquirir as razões pelas quais os estudiosos abandonaram a posição defendida por muito tempo de que Esdras chegou a Jerusalém no sétimo ano de Artaxerxes I, e Neemias, no 20° ano do mesmo rei. Dos numerosos argumentos em favor da inversão da ordem tradicional apenas cinco são de significado relevante. Eles afirmam:
1. Que Neenúas conhece pouco de Esdras. Se Esdras chegou a Jerusalém investido de amplos poderes administrativos, religiosos e legais como Esdras 7 infere, por que ele não desempenhou um papel mais importante no tempo de Neemias? É verdade que Esdras é mencionado como leitor da lei (Neemias 8:1,2,3,4,5,6,9), e como um dos líderes de dois coros processionais na dedicação do muro (Neemias 12:36), mas suas atividades são completamente obscurecidas pelas de Neemias. Se, por outro lado, ele era relativamente um sacerdote jovem da linhagem de Arão no tempo de Neemias, seria natural que ele fosse leitor da lei, mas sem ocupar um lugar importante na administração civil. Presumivelmente mais tarde, ele conquistou a confiança do rei persa e foi enviado aJudá com os amplos poderes descritos em Esdras 7.
- 1 Então todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel. 2 E Esdras, o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres, e de todos os que podiam ouvir com entendimento, no primeiro dia do sétimo mês. 3 E leu nela diante da praça que está fronteira à porta das águas, desde a alva até o meio-dia, na presença dos homens e das mulheres, e dos que podiam entender; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da lei. 4 Esdras, o escriba, ficava em pé sobre um estrado de madeira, que fizeram para esse fim e estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Ananías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. 5 E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo (pois estava acima de todo o povo); e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. 6 Então Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo povo, levantando as mãos, respondeu: Amém! amém! E, inclinando-se, adoraram ao Senhor, com os rostos em terra. 9 E Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam o povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus; não pranteeis nem choreis. Pois todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei. Neemias 8:1,2,3,4,5,6,9 36 e seus irmãos, Semaías, Azarel, Milalai, Gilalai, Maai, Netanel, Judá e Hanâni, com os instrumento musicais de Davi, homem de Deus; e Esdras, o escriba, ia adiante deles. Neemias 12:36
2. Oue Neemias silenciou a respeito dos exilados que retornaram com Esdras. Em seu empenho em repovoar a capital do país, Neemias reviu o censo de vários grupos que retornaram quase um século antes com Zorobabel (Ne 7), mas parece que ele ignorou completamente aqueles que, de acordo com Esdras 7 e 8, tinham retornado apenas 13 anos antes, considerando o retorno de Esdras como tendo ocorrido em 457 a.C. Se, no entanto, Esdras chegou a Jerusalém com cerca de 5 ou 6 mil pessoas no tempo de Artaxerxes 11, Neemias poderia basear suas medidas de repovoamento no único censo disponível, o realizado por Zorobabel.
3. Que Esdras encontrou uma comissão instituída por Neemias. Quando Esdras chegou a Jerusalém, entregou os tesouros reais confiados a ele aos quatro levitas que, aparentemente, eram responsáveis pelos recursos do templo (Esdras 8:33). Neemias relatou que, durante seu segundo mandato, ele nomeou uma comissão de quatro pessoas para cuidar dos tesouros (Neemias 13:13), inferindo que tal comissão não existia antes de seu tempo. Portanto, conclui-se que Esdras deve ter chegado a Jerusalém depois que a comissão havia sido nomeada, ou seja, depois do primeiro mandato de Neemias como governador.
- 33 No quarto dia se pesou a prata, e o ouro, e os vasos, na casa do nosso Deus, para as mãos de Meremote filho do sacerdote Urias; e com ele estava Eleazar, filho de Finéias, e com eles os levitas Jozabade, filho de Jesuá, e Noadias, filho de Binuí. Esdras 8:33 13 E por tesoureiros pus sobre os celeiros Selemias, o sacerdote, e Zadoque, o escrivão, e Pedaías, dentre os levitas, e como ajudante deles Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias, porque foram achados fiéis; e se lhes encarregou de fazerem a distribuição entre seus irmãos. Neemias 13:13
4. Oue o muro havia sido construído antes da chegada de Esdras. Esdras expressou sua gratidão a Deus por ter concedido "um muro de segurança em Judá e em Jerusalém" (Esdras 9:9) que, aparentemente, tinha sido construído fazia pouco tempo. Neemias, por sua vez, encontrou apenas ruínas e teve que reconstruir o muro no primeiro ano após sua chegada a Jerusalém.
5. Oue o sumo sacerdote Joanã pertencia a uma geração posterior. Joanã é, geralmente, mencionado como a principal testemunha em favor do ponto de vista de que Esdras seguiu Neemias. Joanã, filho de Eliasibe, é um dos últimos dignitários, provavelmente sumo sacerdotes, mencionados no livro de Neemias (Neemias 12:22,23). Se Eliasibe era sumo sacerdote durante o governo de Neemias (Neemias 3:1,20,21; Neemias 13:4,7), Joanã, que era filho ou neto (Joiada está entre Eliasibe e Joanã, em Neemias 12:22), pertencia a uma geração posterior. Esta conclusão se harmoniza com o fato de que Joanã é mencionado como sumo sacerdote em 410 a.C, num documento judeu. Entre os papiros de Elefantina há uma carta escrita em 25 de novembro de 407 a.C. (de acordo com o calendário persa) endereçada a Bigvai, então governador persa na Judeia. A carta afirma que os escribas haviam escrito três anos antes a "Joanã, o sumo sacerdote, e a seus companheiros, os sacerdotes que estão em Jerusalém" (edição de Cowley, n. 30).
- 22 Nos dias de Eliasibe, Joiada, Joanã e Jadua foram inscritos, dos levitas, os chefes das casas paternas; e assim também os dos sacerdotes, no reinado de Dário, o persa. 23 Os filhos de Levi, chefes de casas paternas, foram inscritos no livro das crônicas, até os dias de Joanã, filho de Eliasibe. Neemias 12:22,23 1 Então se levantou Eliasibe, o sumo sacerdote, juntamente com os seus irmãos, os sacerdotes, e edificaram a porta das ovelhas, a qual consagraram, e lhe assentaram os batentes. Consagraram-na até a torre dos cem, até a torre de Henanel. 20 Depois dele reparou Baruque, filho de Zabai, outra parte, desde o ângulo até a porta da casa de Eliasibe, o sumo sacerdote. 21 Depois dele reparou Meremote, filho de Urias, filho de Hacoz, outra parte, deste a porta da casa de Eliasibe até a extremidade da mesma. Neemias 3:1,20,21 4 Ora, antes disto Eliasibe, sacerdote, encarregado das câmaras da casa de nosso Deus, se aparentara com Tobias, 7 e vim a Jerusalém; e soube do mal que Eliasibe fizera em servir a Tobias, preparando-lhe uma câmara nos átrios da casa de Deus. Neemias 13:4,7 22 Nos dias de Eliasibe, Joiada, Joanã e Jadua foram inscritos, dos levitas, os chefes das casas paternas; e assim também os dos sacerdotes, no reinado de Dário, o persa. Neemias 12:22
Além disso, Joanã, o filho de Eliasibe, tinha uma câmara no templo em Jerusalém quando Esdras chegou à cidade (Esdras 10:6). Se Esdras chegou a Jerusalém em 457 a.C. e encontrou Joanã de posse de uma câmara no templo, Joanã deve ter se tornado um sacerdote oficiante, com pelo menos 20 anos de idade (ver Esdras 3:8), e talvez bem mais velho. Se, de acordo com o papiro mencionado, Joanã era sumo sacerdote em 410 a.C ., na época, ele devia ter, pelo menos, 67 anos, já que seu sucessor Jadua (Neemias 12:11,22) era sumo sacerdote quando Alexandre, o Grande, passou pela Palestina em 332 a.C (ver Josefo, Antiguidades, xi.8.4, 5) e, 78 anos mais tarde, Jadua devia ter cerca de 100 anos de idade.
- 6 Em seguida Esdras se levantou de diante da casa de Deus, e entrou na câmara de Joanã, filho de Eliasibe; e, chegando lá, não comeu pão, nem bebeu água, porque pranteava por causa da infidelidade dos do cativeiro. Esdras 10:6 8 Ora, no segundo ano da sua vinda à casa de Deus em Jerusalém, no segundo mês, Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesuá, filho de Jozadaque, e os outros seus irmãos, os sacerdotes e os levitas, e todos os que vieram do cativeiro para Jerusalém, deram início à obra e constituíram os levitas da idade de vinte anos para cima, para superintenderem a obra da casa do Senhor. Esdras 3:8 11 Joiada de Jonatã, e Jonatã de Jadua. 22 Nos dias de Eliasibe, Joiada, Joanã e Jadua foram inscritos, dos levitas, os chefes das casas paternas; e assim também os dos sacerdotes, no reinado de Dário, o persa. Neemias 12:11,22
Aqueles que defendem que Neemias precedeu Esdras declaram que a dificuldade aparente de conceber Jadua na função de sumo sacerdote aos cem anos de idade pode ser resolvida ao se assumir que Esdras chegou a Jerusalém sob o reinado de Artaxerxes II (405/404-359/358 a.C.). Pode-se dizer, então, que Joanã se tornou sumo sacerdote um pouco antes de 410 a.C. , como sucessor de Joiada , filho de Eliasibe, contemporâneo de Neemias. Presumindo que Joanã tinha cerca de 30 anos de idade em 410, ele deveria ter 43 quando Esdras chegou a Jerusalém no 7° ano do reinado de Artaxerxes II e, assim, tinha a câmara no templo, que poderia ser usada por Esdras (Esdras 10:6). Se, além disso, considerar-se que Jadua nasceu mais tarde, talvez quando Joanã tivesse 40 anos, ele teria por volta de 70 anos de idade quando Alexandre visitou a Palestin a.
Estes são os cinco argumentos mais importantes que os eruditos defendem em favor da inversão da sequência tradicional das expedições de Esdras e Neemias. A seguir, esses argumentos serão considerados do ponto de vista da sequência tradicional Esdras-Neemias.
1. A posição de Esdras no tempo de Neemias era normal. Esdras chegou a Jerusalém em 457 a.C. investido de amplos poderes, mas não como um governador como Neemias, 13 anos mais tarde. Esdras havia conquistado o favor do rei, que o autorizou a voltar a Judeia e reorganizar o sistema judicial de acordo com as leis judaicas (ver Esdras 7:26). Ele também recebeu amplas concessões fin anceiras e, aparentemente, o direito de fortificar a cidade. Durante a rebelião de Megabizo, sátrapa da província "Além do Rio", à qual pertencia o território da Judeia, os samaritanos podem ter tido a oportunidade de se comunicar diretamente com o rei, confirmando sua lealdade a ele, mas ao mesmo tempo, acusando os judeus de intenções rebeldes ao reconstruir o muro da cidade. Artaxerxes, vacilante e oportunista por natureza, pode ter aceitado com gratidão a declaração dos samaritanos, esperando que a lealdade desse povo pudesse provocar dificuldades ao rebelde Megabizo em sua satrapia, e permitindo aos samaritanos suspender a construção do muro de Jerusalém. Não satisfeitos somente com a interrupção da obra, os samaritanos podem ter demolido partes do muro e queimado alguns portões (ver com. de Neemias 1:3).
- 26 E todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, com zelo se lhe execute a justiça: quer seja morte, quer desterro, quer confiscação de bens, quer prisão. Esdras 7:26 3 Eles me responderam: Os restantes que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande aflição e opróbrio; também está derribado o muro de Jerusalém, e as suas portas queimadas a fogo. Neemias 1:3
Depois da reconciliação entre Megabizo e Artaxerxes, as relações com a satrapia "Além do Rio" se normalizaram e Neemias ouviu de seu irmão (ver com. de Neemias 1:2) o que havia ocorrido na Judeia durante o tempo em que as relações com aquela província haviam sido cortadas. Desse modo, Neemias pediu ao rei, de cujo favor ele desfrutava, que fosse enviado a Jerusalém com plena autoridade para reconstruir o muro (Ne 1, 2).
Embora Neemias tivesse recebido plena autoridade para reconstruir o muro, ele procedeu com a máxima cautela ao chegar a Jerusalém totalmente ciente do poder e da persistência de seus inimigos. Seu sigilo inicial (Neemias 2:12-16), associado à determinação com a qual, mais tarde, enfrentou a oposição ao seu trabalho, mostra quão bem ele era qualificado para completar a obra na qual Esdras se envolvera, mas que fora impedido de completar.
Por esta razão, Esdras pode ter julgado sensato permanecer nos bastidores até que a reconstrução do muro fosse concluída. Esdras pode também ter sido acusado por seus inimigos, dentre os judeus, de ter causado tensão e inquietação entre Judá e as nações vizinhas porque ele expulsou as esposas pagãs de seus lares judaicos ao chegar a Jerusalém (Esdras 9, 10). A prudência, portanto, pode ter conduzido suas ações, o que, em princípio, pode ter dado a impressão de que Neemias tinha pouco a ver com Esdras.
No entanto, após a conclusão a obra de reconstrução e nada mais sério havendo a temer, Neemias naturalmente poderia ter concedido a Esdras seu lugar de direito nos assuntos da nação. Na dedicação do muro, ele convidou Esdras para liderar um dos dois coros processionais de louvor enquanto ele dirigia o segundo (Neemias 12:36,38). Era, portanto, apropriado que as duas procissões fossem dirigidas pelos dois homens que tinham sido tão importantes na obra de restauração do muro.
Mais tarde, quando o tempo dos festivais chegou, Esdras assumiu a incontestável liderança e dirigiu as atividades do povo (Neemias 8:1,2,3,4,5,6,9,13). Isso mostra que Neemias não ignorou Esdras, mas concedeu-lhe o pleno direito, assim que as condições permitiram. Não é verdade, como alguns afirmam, que o nome de Esdras pode ser descartado de Neemias 8 e 12 sem nenhum prejuízo para a narrativa. Se isso fosse feito, um dos dois processionais no momento da dedicação ficaria sem líder. A explicação que torna Esdras o primeiro antecessor e, mais tarde, colaborador de Neemias é totalmente consistente com os fatos conhecidos.
2. Neemias uso·u o censo m.ais antigo disponível. O fato de Neemias ter usado o censo do tempo de Zorobabel como base de seu plano para repovoar Jerusalém (Ne 7) não implica que ele ignorou os exilados que haviam retornado com Esdras. Os conhecimentos que se têm sobre os fatos daquele tempo são apenas fragmentários . É possível que os exilados acompanhantes de Esdras estivessem mais dispostos a morar em Jerusalém do que os do tempo de Zorobabel, uma situação que levaria Neemias a rever o censo anterior. Outra razão para consultar a lista mais antiga pode ter sido o fato de que os 50 mil exilados da expedição de Zorobabel foram distribuídos com mais uniformidade pelo país do que o grupo comparativamente menor que chegou a Jerusalém com Esdras. Já que a lista de Zorobabel menciona 45 grupos, excluindo servos e cantores, e a lista de Esdras, apenas 18 grupos, fica evidente que a primeira lista fornecia uma melhor representatividade das cotas populacionais do que a última. O fato de a lista de Esdras não ser mencionada em Neemias 7 não prova que ela não existisse no tempo de Neemias.
3. Neemias não organizou uma nova tesouraria. É falso assumir que Neemias, durante seu segundo mandato, nomeou tesoureiros pela primeira vez. O relato de Neemias 13:10-14 claramente afirma que, por ocasião de sua segunda chegada a Jerusalém, Neemias descobriu que o povo não entregava os dízimos e, assim, os funcionários do templo eram forçados a cultivar os campos para seu próprio sustento. Neemias retificou imediatamente essa situação logo após seu retorno. Ao persuadir os judeus a entregar seus dízimos, ele foi bem-sucedido ao chamar de volta os levitas e cantores do templo. Assim, pode ter havido necessidade de tesoureiros para administrar os fundos e, portanto, quatro homens foram nomeados. A menção de quatro tesoureiros (Esdras 8:33) não garante a conclusão de que era necessariamente costumeiro que os recursos do templo fossem administrados por uma comissão. Não há base factual para assumir que tal comissão não existia antes do segundo mandato de Neemias.
- 10 Também soube que os quinhões dos levitas não se lhes davam, de maneira que os levitas e os cantores, que faziam o serviço, tinham fugido cada um para o seu campo. 11 Então contendi com os magistrados e disse: Por que se abandonou a casa de Deus? Eu, pois, ajuntei os levitas e os cantores e os restaurei no seu posto. 12 Então todo o Judá trouxe para os celeiros os dízimos dos cereais, do mosto e do azeite. 13 E por tesoureiros pus sobre os celeiros Selemias, o sacerdote, e Zadoque, o escrivão, e Pedaías, dentre os levitas, e como ajudante deles Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias, porque foram achados fiéis; e se lhes encarregou de fazerem a distribuição entre seus irmãos. 14 Por isto, Deus meu, lembra-te de mim, e não risques as beneficências que eu tenho feito para a casa do meu Deus e para o serviço dela. Neemias 13:10-14 33 No quarto dia se pesou a prata, e o ouro, e os vasos, na casa do nosso Deus, para as mãos de Meremote filho do sacerdote Urias; e com ele estava Eleazar, filho de Finéias, e com eles os levitas Jozabade, filho de Jesuá, e Noadias, filho de Binuí. Esdras 8:33
4. Esdras agradeceu a Deus a permissão de reconstruir o muro. Se a reconstrução da his tória da obra de Esdras brevemente revista no argumento n° l se harmoniza com os fatos, Esdras recebeu poderes para reconstruir o muro de Jerusalém por ocasião de seu retorno em 457 a.C. Se assim foi, não é estranho encontrá-lo agradecendo a Deus (Esdras 9:9) por influenciar os reis da Pérsia (Ciro e Dario) a dar a Israel um reavivamento e por prover "um muro de segurança em Judá e Jerusalém" (Artaxerxes I). Deve-se observar que Esdras não afirma que o muro já havia sido concluído. Suas palavras podem ser compreendidas nesse sentido somente se houvesse outra evidência que comprovasse que a construção do muro já estivesse concluída antes de ele proferir sua oração. Porém, considerada separadamente, essa declaração pode também ser interpretada com o significado de que, pela graça de Deus, uma licença fora dada para levar avante a reconstrução do muro. As palavras não implicam que o muro já tinha sido terminado, e esse texto não pode ser tomado como evidência de que a reforma de Esdras, descrita nos cap. 9 e 10, ocorreu depois dos eventos registrados no livro de Neemias.
5. A idade de ]oanã não em incomum, Não há razão para duvidar de que o Joanã mencionado no documento judaico de Elefantina como sumo sacerdote em 410 a.C. seja o mesmo Joanã , fi lho de Eliasibe, de Neemias 12:22,23. Muito provavelmente era também o homem em cuja câmara Esdras chorou (Esdras 10:6). Mesmo se no tempo do retorno de Esdras a Jerusalém, em 457 a.C., Joanã já era um sacerdote respeitado com cerca de 30 anos de idade e tivesse sua própria câmara adjacente ao templo, ele ainda poderia ser o sumo sacerdote em 410 a.C., com a idade entre 70 e 80 anos, quando a carta dos judeus de Elefantina, mencionada anteriormente, foi escrita para ele.
- 22 Nos dias de Eliasibe, Joiada, Joanã e Jadua foram inscritos, dos levitas, os chefes das casas paternas; e assim também os dos sacerdotes, no reinado de Dário, o persa. 23 Os filhos de Levi, chefes de casas paternas, foram inscritos no livro das crônicas, até os dias de Joanã, filho de Eliasibe. Neemias 12:22,23 6 Em seguida Esdras se levantou de diante da casa de Deus, e entrou na câmara de Joanã, filho de Eliasibe; e, chegando lá, não comeu pão, nem bebeu água, porque pranteava por causa da infidelidade dos do cativeiro. Esdras 10:6
A única dificuldade nessa interpretação está ligada a Jadua, se ele sucedeu Joanã como sumo sacerdote e se ainda estava oficiando no tempo de Alexandre, 75 anos depois da carta de Elefantina a Joanã, como Josefo parece indicar (Antiguidades, xi.8.4, 5). No entanto, essa dificuldade não parece ser tão séria como se apresenta. Se Josefo estiver correto ao afirmar que o sumo sacerdote no tempo de Alexandre era Jadua, não há prova de que se tratasse do mesmo Jadua mencionado em Neemias 12:11,22. O próprio livro de Neemias menciona outro Jadua, um chefe de família que assinou um contrato no tempo de Neemias (Neemias 10:21). Portanto, o Jadua de Neemias 12:11,22, sucessor de Joanã como sumo sacerdote, poderia ter sido o avô do sumo sacerdote Jadua que oficiava no templo na ocasião em que Alexandre visitou a Palestina.
- 11 Joiada de Jonatã, e Jonatã de Jadua. 22 Nos dias de Eliasibe, Joiada, Joanã e Jadua foram inscritos, dos levitas, os chefes das casas paternas; e assim também os dos sacerdotes, no reinado de Dário, o persa. Neemias 12:11,22 21 Mesezabel, Zadoque, Jadua, Neemias 10:21
Deve-se lembrar que o historiador Josefo cometeu, pelo menos, um sério erro em sua narrativa histórica desse período ao colocar Sambalate como contemporâneo de Alexandre (Antiguidades, xi.8.2, 3). A partir da Bíblia e dos registros contemporâneos encontrados em Elefantina, sabe-se que Sambalate viveu no tempo de Neemias (ver com. de Neemias 2:10).
É, portanto, completamente possível que ele confundisse os nomes dos sumo sacerdotes, embora não seja necessário assumir que a visita de Alexandre a Jeru salém deva ser considerada uma lenda.
A partir da discussão acima, é óbvio que as provas favoráveis a que Esdras seja posterior a Neemias são, na melhor das hipóteses, muito frágeis. Em reconhecimento desse fato, muitos estudiosos desistiram de inverter a sequência tradicional. Além disso, a inversão proposta envolve os defensores da teoria da inversão em algumas das dificuldades que eles buscam evitar. Isso pode ser visto através dos dois pontos seguintes:
1. A idade de Meremote. Quando Esdras chegou a Jerusalém em 457 a.C ., ele entregou os tesouros levados de Babilônia ao sacerdote Meremote, filho de Urias (Esdras 8:33). Esse mesmo Meremote é mencionado 13 anos mais tarde como um apoiante ativo de Neemias e um construtor entusiasta de duas seções do muro (Neemias 3:4,21). Não é difícil compreender como o mesmo homem pode estar envolvido em várias tarefas atribuídas a ele nos textos previamente mencionados durante 13 anos, de 457 a 444.
- 33 No quarto dia se pesou a prata, e o ouro, e os vasos, na casa do nosso Deus, para as mãos de Meremote filho do sacerdote Urias; e com ele estava Eleazar, filho de Finéias, e com eles os levitas Jozabade, filho de Jesuá, e Noadias, filho de Binuí. Esdras 8:33 4 Ao seu lado fez os reparos Meremote, filho de Urias, filho de Hacoz; ao seu lado Mesulão, filho de Berequias, filho de Mesezabel; ao seu lado Zadoque, filho de Baaná; 21 Depois dele reparou Meremote, filho de Urias, filho de Hacoz, outra parte, deste a porta da casa de Eliasibe até a extremidade da mesma. Neemias 3:4,21
Se, contudo, conforme foi alegado, Esdras chegou em 397 a.C ., no r ano de Artaxerxes II, 47 anos depois de o muro de Neemias ter sido construído, um Meremote muito idoso teria recebido os tesouros das mãos de Esdras. Ainda que Meremote tivesse 25 anos de idade no tempo em que era responsável por construir dois setores do muro, ele teria cerca de 72 anos quando ofic iava como um dos tesoureiros por ocasião do retorno de Esdras. Embora isso seja possível, deve-se observar que a nova teoria atribui a Meremote uma idade que os proponentes da mesma teoria declaram ser inacreditável para Joanã.
Outro ponto a ser lembrado é que no tempo de Esdras e Neemias cada sumo sacerdote teoricamente servia a vida toda, e pode-se esperar que os que se mantinham no ofício seriam idosos ao chegar ao final de sua carreira. Como exemplo, Arão serviu como sumo sacerdote até a idade de 123 anos, Eli até 98 anos e Joiada até 130 (Números 33:39; 1 Samuel 4:15; 2 Crônicas 24:15).
- 39 E Arão tinha cento e vinte e três anos de idade, quando morreu no monte Hor. Números 33:39 15 Ora, Eli tinha noventa e oito anos; e os seus olhos haviam cegado, de modo que já não podia ver. 1 Samuel 4:15 15 Jeoiada, porém, envelheceu e, cheio de dias, morreu; tinha cento e trinta anos quando morreu. 2 Crônicas 24:15
2. A idade de Esdras. Uma dificuldade muito maior para os defensores da teoria da inversão encontra-se na idade de Esdras ao chegar a Jerusalém, 47 anos depois de Jeremias. Os proponentes da nova teoria apresentam Esdras como o grande líder religioso das atividades descritas em Neemias 8 e como um dos dois líderes na dedicação do muro. Porém, alguém escolhido para liderar essas atividades em vez do sumo sacerdote deve ter sido um homem de gra nde distinção e uma pessoa muito influente - e, portanto, não um jovem. É difícil imaginar escolher alguém para esse papel com menos de 40 anos de idade, ou que Neemias o teria escolhido a menos que ele fosse conhecido por importantes reali zações antes daq uele tempo. Atribuir a Esdras uma idade considerável no tempo de Neemias, leva-o a uma idade absurdamente avançada por ocasião de seu suposto retorno de Babilônia 47 anos depois, no ano 397 a.C.
Reconhecendo essa séria dificuldade, muitos eruditos que invertem a ordem bíblica de Esdras e Neemias ou excluem o nome de Esdras dos textos associados com Neemias ou atribuem arbitrariamente sua expedição ao 3r ano de Artaxerxes I. Para os leitores deste Comentário é suficiente enfatizar que ambas as propostas são baseadas em deliberadas alterações do texto bíblico. O conservador estudante da Bíblia não encontra razão para inverter a ordem da chegada de Esdras e Neemias conforme dada na Bíblia. Tal transposição não apenas deixa de resolver todas as dificuldades como cria outras, o que torna a reconstrução da história daquele tempo mais difícil. Não se pode ignorar as declarações da Inspiração ou os fatos conhecidos da história.
Comentário Bíblico
Mathew Henry
Nota - (Mathew Henry)
Esdras 7:11-26
A generosidade dos reis pagãos para apoiarem a adoração a Deus foi uma reprovação para a conduta de muitos reis de Judá, e levantar-se-á em juízo contra a cobiça dos ricos cristãos que professam a fé, mas não promovem a causa de Deus. Porém, as armas dos ministros cristãos não são carnais. Pregação fiel, vidas santas, orações fervorosas e sofrimentos com paciência, quando são chamados a estes, são os meios que levam os homens à obediência a Cristo.
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- Análise em Cadeia 13 Por mim se decreta que no meu reino todo aquele do povo de Israel, e dos seus sacerdotes e levitas, que quiser ir a Jerusalém, vá contigo. 18 Também o que a ti e a teus irmãos parecer bem fazerdes do resto da prata e do ouro, o fareis conforme a vontade do vosso Deus. Esdras 7:13,18 4 Tu ordenaste os teus preceitos, para que fossem diligentemente observados. Salmos 119:4 10 para que ofereçam sacrifícios de cheiro suave ao Deus do céu, e orem pela vida do rei e de seus filhos. 11 Também por mim se decreta que a todo homem que alterar este decreto, se arranque uma viga da sua casa e que ele seja pregado nela; e da sua casa se faça por isso um monturo. 12 O Deus, pois, que fez habitar ali o seu nome derribe todos os reis e povos que estenderem a mão para alterar o decreto e para destruir esta casa de Deus, que está em Jerusalém. Eu, Dario, baixei o decreto. Que com diligência se execute. Esdras 6:10-12 3 Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem, serão gravemente feridos. E ajuntar-se-ão contra ela todas as nações da terra. Zacarias 12:3