O principal problema pelo qual o concílio havia sido convocado foi resolvido. Visto que a salvação é pela graça, os gentios seriam isentos da circuncisão quando se unissem à igreja. No entanto, deviam se abster de quatro coisas: (1) carne oferecida em sacrifício aos ídolos em rituais pagãos e servida em uma festa do templo ou vendida no mercado; (2) consumo de sangue; (3) carne de animais estrangulados, ou seja, a carne cujo sangue não tinha sido drenado; e (4) imoralidade sexual nas suas várias formas. A maioria dos cristãos hoje trata as proibições dietéticas (as três primeiras proibições) como recomendações temporárias. Como essas coisas eram especialmente repugnantes para os judeus, as proibições argumentam eles visavam apenas transpor o abismo entre cristãos judeus e gentios. Frequentemente se diz que todas as outras leis do Antigo Testamento, inclusive as leis levíticas alimentares (Lv 11) e o mandamento do sábado (Êx 20:8 11), que estão ausentes da lista, não são mais obrigatórios. O chamado “decreto apostólico”, porém, não era nem temporário nem um novo código de ética cristão que excluía tudo o mais em relação ao Antigo Testamento. Na verdade, sob a direção do Espírito Santo (At 15:28), os apóstolos e anciãos da igreja apenas reproduziram os regulamentos de Levítico 17 e 18 no que diz respeito aos estrangeiros residentes em Israel. No contexto de Levítico, essas proibições significavam a renúncia ao paganismo. Todo estrangeiro que desejasse viver em Israel deveria renunciar às práticas pagãs (Lv 18:30). Da mesma forma, todo gentio que desejasse se unir à igreja era obrigado a assumir uma posição contra o paganismo. No entanto, isso era apenas o primeiro passo. Uma vez aceito, esperava se que ele cumprisse a vontade de Deus, obedecendo aos mandamentos universais, pré mosaicos e não intrinsecamente cerimoniais, como o sábado (Gn 2:1 3), e seguindo a distinção entre alimentos puros e impuros (Gn 7:2). Que o decreto não era temporário pode ser visto em Apocalipse 2:14 e 20, em que a primeira e a última proibições são repetidas, contemplando também implicitamente as outras duas. Evidências históricas mostram que o decreto ainda era considerado normativo pelos cristãos muito tempo depois do período do Novo Testamento.